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Artigo

E então? Vai falar ou não?

por Paulo Guilherme Michopullos Baldini - Docente do Senac Informática

Talvez um dos assuntos que mais me agrade falar seja para muitas pessoas motivo de pânico, de desespero total: falar em público. E não me refiro especificamente a uma mera conversa entre amigos de infância, a contar uma piada em uma reunião familiar. Eu me refiro a uma das principais armas que dispomos atualmente no ambiente corporativo: a boa comunicação. Saber comunicar-se de maneira eficiente (ou não) pode significar a aprovação (ou reprovação) daquela ideia incrível que você tinha para apresentar aos colegas e que poderia facilitar consideravelmente o trabalho de toda a equipe de trabalho. Este tema está intimamente ligado ao assunto que abordei em meu primeiro artigo: o empreendedorismo. Ser um bom empreendedor não significa apenas ter ideias mirabolantes borbulhando na cabeça vinte e quatro horas por dia, mas também saber como vender essa ideia. E, infelizmente, a gente só vende alguma coisa fazendo uso do dom da palavra, da comunicação.

Não quero que você se torne um Doutor em Oratória da noite para o dia, mas comunicar-se bem tanto no ambiente profissional quanto no convívio social é primordial. Não sou, em absoluto, um exímio orador. Mas confesso que este é um tema que me fascina dissertar. Então, eu vou apresentar algumas dicas que podem ajudar e muito na hora de colocar em prática a sua Oratória. Lembre-se: assim como tudo na vida, absolutamente tudo, só se desenvolve a Oratória praticando muito. Discurse para você mesmo no banheiro, discurse para os amigos, para os familiares. Mas, por favor, não seja inconveniente e modere na sua prática. Uma das características que o orador deve ter mais apuradas é a sensibilidade de perceber o momento certo de parar.

São dez dicas que eu apresento à vocês e que são na verdade pontos que todos nós temos, só que mais desenvolvidos em algumas pessoas e que todos podem igualmente desenvolver.

1. A naturalidade ainda é a melhor regra da boa comunicação. Durante a sua explanação, mostre-se natural. Não seja um mero reprodutor de conteúdo, como se fosse um player de música. Os seus ouvintes conseguem perceber através de sua postura e sua entonação, se você domina o assunto ou meramente verbaliza a clássica “decoreba”.


2. Tenha um roteiro da sua apresentação sempre à mão. Nunca é demais. Somos seres humanos e a memória muitas vezes vai nos faltar. O famoso “branco” virá. Use o roteiro como um parceiro. Não se preocupe. Você não será tachado como despreparado ante o seu público. Muito pelo contrário.

3. Use uma linguagem correta. Uma escorregada no Português aqui, tudo bem. Uma gíria ali, vá lá. Mas por favor, não transforme a sua apresentação em uma chacina à Língua Portuguesa. Não se esqueça que você é visto (e julgado por isso) como um Formador de Opinião. O que você diz ou faz durante a sua apresentação será, posteriormente, a pauta do seu público nas rodas de cafezinho. Tenha ciência da responsabilidade que você traz em suas palavras.

4. Saiba quem são os ouvintes. Conheça quem é o seu público antecipadamente. Ajuste a sua apresentação à ele. Ajuste a sua linguagem verbal e corporal à ele. Para que você consiga transmitir a sua mensagem de forma eficiente, isso é primordial.

5. Tenha começo meio e fim. Nada melhor como o bom e velho roteiro que mencionei anteriormente para que você possa estruturar de forma adequada a sua apresentação. Siga uma linha lógica de desenvolvimento. Comece, desenvolva e finalize.

6. Tenha uma postura correta. Falar em público não é exatamente uma conversa à beira da piscina. Portanto, evite mãos no bolso, evite braços cruzados, evite apoiar-se sobre uma perna. Isso em absoluto vai parecer domínio de informação. Gesticule, mas de forma moderada. Jamais fixe o olhar em alguém específico da plateia. Prefira aquele “olhar distante” em algum ponto da parede ao fundo. Ou então, gire lentamente o tronco direcionando olhar em diferentes espectadores.

7. Seja bem-humorado. A situação mais frustrante para um orador é perceber que o sono é mais envolvente que as suas palavras. Interaja com o seu público, faça uma apresentação leve, animada, traga elementos comuns ao dia-a-dia dos funcionários. Mas seja previdente para não tornar a sua apresentação um espetáculo circense. Dependendo da cultura da empresa, palhaçada demais soa displicência com o assunto e com a plateia.

 8. Prepare-se para falar. Leia sobre, conheça, domine o assunto e seus desdobramentos. Converse com amigos e familiares. Assim você irá identificar as possíveis perguntas que o seu público fará. Ter domínio sobre a pauta da apresentação demonstra segurança e passa credibilidade aos ouvintes.

9. Use recursos audiovisuais. Cuidado! Esta é com certeza uma das maiores armadilhas para os oradores. Sob nenhuma circunstância vire-se para ler a sua apresentação. No máximo, para demonstrar um gráfico ou tabela. Eles são um recurso auxiliar à sua apresentação. E nunca a apresentação propriamente dita. Não esqueça que as pessoas recebem as informações de maneiras diferentes (auditivos, visuais e sinestésicos). Crie apresentações atraentes com temas e cores condizentes com o assunto abordado, traga vídeos relacionados. E para atingir o maior público possível, há de se pensar nestes três tipos de espectadores.

10. Fale com emoção. Lembre-se. Você é o centro das atenções, você é a estrela. Os olhos estão todos em você. Use de emoção ao desenvolver a sua apresentação. Não me refiro aqui a rolar no chão ou chorar copiosamente, mas sim de dar ênfase à aquilo que você quer que o seu público receba como mensagem principal. Os seus ouvintes tem que estar juntos de você. Eles devem vibrar junto com você. Isso é uma apresentação de sucesso!

Bom, é isso. Obrigado mais uma vez e coloquem em prática estas dicas. Vocês podem ter certeza que vai melhorar, e muito a sua maneira de se comunicar com os colegas de trabalho, amigos e familiares. Mas não esqueçam: não há fórmula mirabolante, nem varinha de condão que o transforme em um exímio orador. Só a prática. 

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