Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

O papel da CIPA nas empresas

por Anderson Galvão Calixto - docente do Senac Uruguaiana

Penso que pouquíssimas empresas sabem dar a devida importância a uma gestão da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Interessante que muitos “cipeiros”, assim chamados os membros da CIPA, dedicam tempo e não medem esforços para auxiliar as empresas em uma gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

O erro ocorre quando a CIPA não possui um amparo da empresa. Assim sendo, não há condições adequadas para que a gestão seja realizada e muitas vezes não dispõem de local e horário para reuniões. Muitas empresas possuem uma CIPA apenas para cumprir legislação e sabemos bem que a Comisssão é muito mais do que as companhias pensam. É um agente extensor de Segurança do Trabalho. A figura do “cipeiro” é bastante interessante. Primeiro, por ser fruto de um processo eleitoral, momento em que se observa a democracia interna gerando, assim, um compromisso dos empregados com seus eleitos. Segundo, porque via de regra, na CIPA, encontramos pessoas com certo grau de compromisso com questões valiosas aos operários. Muitos dizem que a CIPA é uma forma de garantir uma estabilidade.

Em parte eles têm razão. Por outro lado, desconhecem que a grande maioria dos “cipeiros” jamais deixa o universo da prevenção. Conheço casos dos quais os “cipeiros” se entusiasmam tanto com suas funções que procuram ir mais além, buscando escola de formação técnica. Ou seja, eles começam o curso de Técnico em Segurança do Trabalho.

Ouvimos dizer que fazer prevenção custa muito caro. Poucos notam, mas a cada um real investido em segurança, pro ativamente evita-se gastos futuros. No entanto, o pior é perceber que as empresas não possuem uma visão mais aprofundada para a questão. Em alguns casos, percebe-se que o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) enxerga a CIPA como uma concorrência, uma oposição. Este pensamento retrógrado faz com que o processo não evolua, criando entraves e dificultando ações da CIPA, quando na verdade, deveria estar disponível para orientar os “cipeiros”, evitando assim, comprometer as relações entre SESMT e CIPA.

Pergunto-me: quem tem a perder? Ouso responder esse questionamento dizendo que quem perde são os trabalhadores, que deixam de ter um ambiente seguro e agradável comprometendo, assim, suas funções e evidenciando riscos de acidentes no trabalho. Minha visão como profissional da área de Segurança e Saúdo no Trabalho (SST), permite dizer que quando a empresa tem uma política clara em relação à CIPA, esta corresponde de forma bastante interessante e os conflitos que pairam sobre as normas de segurança do trabalho deixam de existir. Elas passam a ser um grande processo evolutivo, evitando acidentes e, consequentemente, afastamento dos trabalhadores. Isso gera uma redução de custos e, também, traz a certeza para o trabalhador que a empresa está preocupada com seu bem estar dentro e fora do ambiente de trabalho.

Fazer um bom treinamento e dar suporte adequado para a CIPA permite aproximar o empregador dos trabalhadores. Caso contrário, é deixar um barco à deriva, sem rumo em um mar enfurecido. Por fim, seria importante que as empresas fizessem uma auto avaliação, de forma a desenvolver uma boa relação com a CIPA. Esta parceria, com certeza, dará bons resultados para os dois lados.

Serviços da escola
Serviços do Senac-RS
Acessos
Serviços
Institucional
Contato