
A campanha Março Lilás desempenha um papel essencial na conscientização sobre o câncer de colo do útero, uma das principais causas de morte por câncer entre as mulheres. O objetivo é informar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso aos serviços de saúde, incentivando a realização de exames e a adesão à vacina contra o HPV. Além disso, a campanha combate a desinformação e reforça a necessidade do acompanhamento ginecológico regular.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de colo do útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo. As taxas mais altas de incidência e mortalidade são observadas em países de baixa e média renda, refletindo desigualdades no acesso à vacinação contra o HPV, rastreamento e serviços de tratamento.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2023-2025, estima-se a ocorrência de 17.010 novos casos de câncer do colo do útero no Brasil, com uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. Em 2021, a taxa de mortalidade ajustada pela população mundial foi de 4,51 óbitos por 100 mil mulheres.
Fatores de risco e prevenção
Segundo Carol Engers Piumato, docente do curso Técnico em Enfermagem do Senac Novo Hamburgo, os principais fatores de risco para a doença incluem a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV). "Além disso, o início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais, tabagismo e a falta de acompanhamento ginecológico aumentam as chances de desenvolvimento da doença", explica.
O exame preventivo mais indicado é o Papanicolau, também conhecido como citopatológico ou preventivo, que permite detectar alterações nas células do colo do útero antes mesmo da evolução para o câncer. "Ele deve ser realizado por todas as mulheres que já tiveram atividade sexual, preferencialmente a partir dos 25 anos. Se os dois primeiros exames anuais apresentarem resultados normais, a recomendação é que seja repetido a cada três anos, seguindo indicação do Ministério da Saúde", orienta Piumato.
A vacina contra o HPV é outra estratégia essencial de prevenção, pois protege contra os principais tipos do vírus associados ao câncer de colo do útero. Disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos, como pessoas imunossuprimidas. "A imunização reduz significativamente o risco de infecção pelo HPV e, consequentemente, o desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas", destaca a docente.
Outros hábitos também contribuem para a prevenção. "O uso de preservativos reduz a exposição ao HPV e a outras infecções sexualmente transmissíveis. Parar de fumar, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas também são medidas importantes", pontua Piumato. Além disso, consultas ginecológicas regulares são fundamentais para o acompanhamento da saúde feminina.
Nos estágios iniciais, o câncer de colo do útero pode ser assintomático. Quando os sintomas aparecem, costumam incluir sangramentos fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual, corrimento vaginal com odor desagradável e dor pélvica. "Ao notar qualquer um desses sinais, é essencial procurar atendimento médico imediatamente para investigação e diagnóstico precoce", alerta Piumato.
Para a docente, o acesso à informação e aos serviços de saúde é um fator decisivo para a prevenção e o diagnóstico precoce. "Mulheres bem informadas sobre a importância da vacina, do exame preventivo e dos fatores de risco têm mais chances de adotar medidas preventivas. Além disso, garantir o acesso aos serviços de saúde, especialmente para populações vulneráveis, aumenta as chances de detecção precoce e sucesso no tratamento, reduzindo a mortalidade associada ao câncer de colo do útero", conclui.