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Rio Grande do Sul

Artigo

Dia Mundial da Água

por Daiéli Duarte - Professora do Senac Tramandaí

Dia Mundial da Água

Todo o ano, o dia 22 de março é lembrado como o Dia Mundial da Água. A data serve para destacar a importância desse recurso natural vital para a existência humana e que é ameaçado e desperdiçado diariamente. Este ano não poderia ser diferente, ainda mais considerando a situação atual da humanidade. Com a pandemia de COVID-19, o uso da água teve um novo significado e evidência na higienização e prevenção da doença. Mais do que nunca se percebeu o valor da água e a necessidade de usá-la com responsabilidade.

A Água no Brasil

O Brasil é geograficamente privilegiado e possui diversas fontes de água doce, além de possuir uma enorme concentração de reservatórios. Os principais são o Sistema Aquífero Grande Amazônia e o Aquífero Guarani, que são os maiores do mundo também.

Chamado de SAGA, o Sistema Aquífero Grande Amazônia foi descoberto recentemente por pesquisadores do Instituto de Geociência da Universidade Federal do Pará - UFPA. Onde se acreditava existir o aquífero Alter do Chão, na verdade descobriu-se que há um sistema muito maior que contém reservas hídricas estimadas, preliminarmente, em 162.520 km³, sendo a maior que se tem conhecimento no planeta.

O Aquífero Guarani é a segunda maior reserva de água doce da América Latina, possui 30.000 km³ e passa por oito estados brasileiros, além de partes da Argentina, Uruguai e Paraguai. Apesar desses imensos reservatórios naturais de água, a forma como consumimos esse recurso é muito perigosa e coloca em risco o futuro dos nossos descendentes. Não só pelo desperdício, mas a contaminação de cursos d’água durante a produção de bens e alimentos ameaçam a qualidade da nossa fonte de vida.

O Uso da Água

Segundo o Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil da ANA - Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, em 2017, último ano em que os dados foram coletados, a agricultura irrigada e o abastecimento animal representaram 60% do consumo dos recursos hídricos nacionais disponíveis.

Anualmente, a pressão sobre o sistema hídrico é aumentada pelo consumo excessivo e pelo crescimento desordenado da população. O cenário é agravado pelos desastres ambientais causados pelo homem e pelos graves problemas de saneamento básico que vemos. No Brasil, quase 100 milhões de brasileiros não têm acesso ao serviço de tratamento básico de esgoto e só 46% do esgoto do país recebe tratamento. O restante é jogado nas bacias hidrográficas.

Apesar da fama de rico em águas doces, o Brasil está cada vez próximo de um colapso no abastecimento hídrico. Isso se deve ao impacto da ação humana e a degradação dos biomas que são responsáveis pela proteção dos solos que abrigam as fontes de água potável que contamos. O cerrado brasileiro, o bioma mais antigo do país, é conhecido como berço das águas e mesmo assim o centro-oeste brasileiro é uma das áreas onde há maior risco de desabastecimento.

Mesmo munidos de toda essa informação, de janeiro a outubro do ano passado, mais de 3 milhões de hectares de áreas protegidas do Cerrado sofreram com as queimadas, incluindo terras indígenas. A Agência Nacional de Águas estima que 60,9 milhões de brasileiros vivam em cidades com risco hídrico e a maior parcela deste risco é a estiagem, que atinge principalmente o nordeste, além do centro-oeste, alcançando metrópoles como São Paulo e Brasília.

Devemos usar o Dia Mundial da Água para informar sobre a importância de proteger os recursos hídricos, biomas e povos tradicionais, pois este equilíbrio garante a manutenção dos reservatórios naturais de água que podem abastecer a todos, se bem geridos e protegidos.

É imprescindível que haja uma mudança de hábitos das pessoas mas, principalmente, os governos precisam dar a devida atenção a política ambiental. Nos últimos anos, houveram muitos retrocessos na área ambiental e o sucateamento de vários órgãos que atuam na proteção do meio ambiente.

A evolução tecnológica pode ser uma grande aliada da proteção dos recursos hídricos na despoluição de cursos d’água e na produção mais sustentável de bens e alimentos. Enquanto isso, cada um de nós deve repensar seu impacto e a relação com o planeta. Tudo isso para garantirmos condições de vida adequadas para as próximas gerações.

Referências

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (Brasil). Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil 2020. Brasília, 2020. Disponível em: http://conjuntura.ana.gov.br/static/media/conjuntura-completo.23309814.pdf

Agência Nacional de Águas (Brasil). Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil. Brasília, 2019. Disponível em: http://www.snirh.gov.br/portal/snirh/centrais-deconteudos/central-depublicacoes/ana_manual_de_usos_consuntivos_da_agua_no_brasil.pdf/view#:~:text= O%20Manual%20de%20Usos%20Consuntivos,brasileiros%2C%20acompanhando%20a %20evolu%C3%A7%C3%A3o%20da

BRITO, Débora. A Água no Brasil: da abundância à escassez. Agência Brasil. Brasília, 2018. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-10/agua-nobrasil-da-abundancia-escassez

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