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Rio Grande do Sul

Artigo

GESTÃO DE RISCOS EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA ADULTO NO BRASIL: A BUSCA PELA SEGURANÇA DO PACIENTE

por Cândisse Roseli Arend Dias - Professor do Senac Uruguaiana

Nestes tempos de pandemia, os riscos ligados aos cuidados em saúde são uma realidade que se destaca e preocupa cada vez mais as instituições e os gestores na busca de promover a segurança do paciente, principalmente na assistência em UTI adulto. Mas, mesmo com essa preocupação, os eventos adversos acontecem e causam perplexidade por se tratar da vida humana que está em jogo (MILAGRES, 2015). O estudo sobre o tema iniciou-se depois que o Instituto de Medicina dos Estados Unidos divulgou o relatório Errar é humano: construindo um sistema de saúde mais seguro, em 1999, o qual avaliou os prontuários de 30.121 internações e estimou que os erros na assistência haviam causado 180 mil óbitos no país. Após esse relatório, o mundo passou a dedicar-se à minimização dos eventos adversos (OLIVEIRA, 2013). A gestão com foco na qualidade e na segurança do paciente está baseada em princípios e diretrizes que preconizam uma cultura de segurança, a transparência, a prática de processos de gestão de risco, sua interação nos processos de cuidado e organizacionais, a adoção de evidências, a inclusão, o comprometimento, a sensibilização e a flexibilidade para reagir a mudanças (BRASIL, 2013b). A gestão de risco é definida como a “aplicação sistêmica e contínua de iniciativas, procedimentos, condutas e recursos na avaliação e no controle de riscos e eventos adversos que afetam a segurança, a saúde humana, a integridade profissional, o meio ambiente e a imagem institucional” (BRASIL, 2013a, p.2). A segurança do paciente é definida pela Organização Mundial da Saúde (2010) como o nível mínimo aceitável na incidência de erros desnecessários causadores de danos ao paciente na assistência em saúde. 

A gestão de riscos em saúde em unidades de terapia intensiva (UTIs) adulto deve reconhecer a necessidade da eliminação de erros ao mínimo na assistência de enfermagem e, para isso, identificar se esses erros são especificamente humanos, de gestão de pessoas ou de políticas administrativas. A implantação de uma cultura de segurança ao paciente tornou-se o eixo central desse cenário. A literatura registra alguns dos principais eventos que ocorrem em UTIs adulto, e há evidências de que a falta de uma gestão de riscos gera uma queda de qualidade da assistência e a ocorrência de erros, com prejuízo para o paciente, para o enfermeiro de UTI adulto e para a instituição.

É possível minimizar os erros com programas de educação continuada, que desenvolvam o reconhecimento dos eventos adversos e a percepção da importância do uso correto dos instrumentos de notificação; que envolvam os profissionais que estão em contato direto com o paciente na busca de excelência; que promovam a adesão dos profissionais à política de segurança do paciente implantada na instituição. Outras estratégias são a motivação para os enfermeiros se sentirem seguros, o gestor deve aceitar que as falhas humanas podem acontecer; a revisão dos processos e rotinas da instituição de forma contínua; o estabelecimento de práticas corretas de assistência, baseadas em evidências; o ajuste de jornadas de trabalho suportáveis; o investimento no ambiente de trabalho em relação à infraestrutura e à comunicação entre as equipes.

            No entanto, este tema ainda pode ser investigado sob outros ângulos, dado a sua relevância e suas implicações para a segurança do paciente em UTIs adulto, sobretudo em um momento em que a existência de um vírus ameaçador como o Covid-19 está em primeiro lugar na pauta da saúde e necessita de UTIs seguras tanto para os pacientes quanto para os profissionais.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Portaria n.º 529, de 1 de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Diário oficial da União, Brasília, DF. 2013a, p.2. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_01_04_2013.html.>. Acesso em: 1º dez 2017.

______. Ministério da Saúde. ANVISA. RDC nº 36 de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências. Diário oficial da União, Brasília, DF. 2013b. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2013/rdc0036_25_07_2013.html. Acesso em: 1º dez. 2017.

MILAGRES, L.M. Gestão de riscos para segurança do paciente: o enfermeiro e a notificação dos eventos adversos. Juiz de Fora. 2015. 100f. Dissertação (Mestrado) — Faculdade de Enfermagem, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2015. Disponível em: <http://www.ufjf.br/pgenfermagem/files/2010/05/Disserta%C3%A7%C3%A3o-Lidiane-Miranda-Milagres.pdf.>. Acesso em 06 dez. 2017.

OLIVEIRA, R.M. Estratégias para promover segurança do paciente: da identificação dos riscos às práticas baseadas em evidências. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem. v. 18, n. 1, jan/mar 2014, p. 122-129. Disponível em: <revistaenfermagem.eean.edu.br/detalhe_artigo.asp?id=1008.>. Acesso em: 05 dez. 2017.

World Alliance for Patient Safety Forward Programme 2008-2009. Geneva (Swi): World Health Organization; 2010.

 

 

 

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