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Rio Grande do Sul

Artigo

Estudar é preciso, fotografar não é preciso

por Fabiano Riffatti - Professor do Senac Novo Hamburgo

Esta é uma livre adaptação da célebre frase "navegar é preciso, viver não é preciso", onde verificamos o inteligente trocadilho com os dois significados para a palavra "preciso", que pode ser usada para apontar exatidão, perfeição, mas também serve para denotar necessidade, indispensabilidade.

No original, navegar é exato. Pontual. Viver, é um apanhado de dúvidas e incertezas, tentativas e muitos erros.

Na adaptação, eu aponto que estudar é imprescindível, é importante. É necessário.  Já fotografar, apesar de usar regras e cálculos matemáticos (hoje em dia, feitos em sua quase totalidade pelo equipamento), não é exato. Explico, existem diversas variáveis que influenciam na fotografia. A iluminação do local, o assunto que será fotografado, a hora do dia, o equipamento usado, se o tema da fotografia está parado ou em movimento e etc. E isso sem falar na própria mutabilidade das configurações básicas da câmera fotográfica momentos antes do clique. A fotografia é extremamente mutável, volúvel.

Fotografar não é preciso.  Uma foto de um pôr do sol hoje, pode não usar as mesmas configurações de câmera e nem enquadramento de uma foto do pôr de sol de amanhã, mesmo que seja feito no mesmo local, por exemplo.

Com o advento da fotografia feita com o celular e a qualidade das imagens feitas pelos smartphones, somado à facilidade de acesso a câmeras DSLRs, também chamadas erroneamente de câmeras profissionais (mas isso é outro assunto), ficou cada vez mais fácil ter fotos boas ao alcance de uma mão. E é justamente neste ponto que o estudo da fotografia se mostra cada vez mais importante.  

Hoje, o mercado fotográfico precisa lidar com as redes sociais que mostram imagens extremamente editadas, montagens feitas em programas de edição de fotografia e uma série de gente vendendo a ideia de que para viver da fotografia, basta ter uma câmera na mão e fazer o seu workshop on-line.
Entretanto, existe uma série de fatores que não são abordados por estes gurus das redes sociais e muito menos pelos influencers, que cada vez mais apresentam imagens diferentes da realidade.
A fotografia exige muito mais do que conhecimento fotográfico. Principalmente, quando falamos de fotografia profissional. Eu costumo dizer que o profissional da fotografia não é meramente um fotógrafo. Ele é um empreendedor do ramo da fotografia.  Um empresário. Pois, esse profissional trabalha para si próprio, precisa entender como fazer seu próprio marketing, como gerenciar sua empresa, como atender seus clientes, como fazer parceria com fornecedores, como administrar o pós-vendas, como captar mais clientes e, ainda, entender da sua fotografia, da linguagem fotográfica, estar preparado para qualquer percalço na hora do clique, administrar horas em frente a um computador tratando e selecionando fotos.  Além disso, é necessário estimular a própria criatividade, correr atrás de novidades a cada clique novo, estudar novas tendências e processos. Enfim, estudar é preciso.

Muitas pessoas se aventuram no mercado fotográfico influenciados pela ilusão de que gostar de fotografar e ter uma câmera é o suficiente.  É verdade?  Como expus acima, não. Ter a câmera e gostar de fotografar deveria ser apenas o começo. As pessoas têm no seu imaginário que fotógrafo tem uma rotina divertida, conhece pessoas e lugares bacanas e ganha muito dinheiro fazendo o que gosta. É verdade? De certa forma sim (menos a parte do ganhar muito dinheiro), mas para se chegar nesse patamar é preciso muito trabalho duro e conhecimento para além da fotografia.

É necessário entender como funciona o mercado fotográfico, se engajar em ser mais criativo perante uma concorrência muito grande, entender as tendências do mercado, a precificação do seu produto e serviço. É necessário fazer até uma autoanálise para entender a própria linguagem fotográfica e encontrar a identidade própria dentro da fotografia.

Mais uma vez, estudar é preciso.

A fotografia se divide em várias subcategorias: fotografia artística, jornalística, esportiva, social, de moda, empresarial, imobiliária, automotiva, pericial, de produto, de comida, publicitária, etc. Para cada especialidade há uma área de estudo, uma gama de conhecimento que deve ser agregada ao currículo do profissional. Escolher apenas uma delas pode ser bastante difícil. E em tempos complicados como os de pandemia, muitos fotógrafos que tinham como carro chefe a fotografia de eventos tiveram que se reinventar e buscar novos ares, novos conhecimentos e novas áreas.

Em dois anos a vida destes profissionais virou do avesso. Fotografar não é preciso.

Por fim, na fotografia, como qualquer outra área de interesse ou profissão, para se ter sucesso requer muito investimento em conhecimento, muita dedicação e muito trabalho. Mas, desde sempre os seres humanos estiveram empenhados em registrar os seus cotidianos e gravar em imagens suas vivências. E isso nunca foi tão fácil quanto é hoje. O que é bom, pois existem diversos motivos para mantermos nossas lembranças registradas.  Fotografar é preciso.  Estudar fotografia também.

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