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Rio Grande do Sul

Artigo

Envelheci

por Rafael Damé - Mestre

Sinto-me um velho, o racionalismo tomou conta de mim de uma forma que começo a impossibilitar-me de discutir assuntos sobre gestão nos dias de hoje. Sou filho de uma geração que viveu com 100% de inflação na década de 80, portanto já vivi numa crise, vivi momentos de redução, escassez, esforço, onde os que estavam em minha voltam viviam do exclusivamente necessário temendo o amanhã. Quem sobreviveu? Quem inovou, quem se qualificou, quem trabalhou. 

Na minha insignificante opinião, a crise que vivemos nos dias de hoje não é do tamanho da que já vivemos, somos sim um país praticamente “quebrado”, mas precisávamos passar por isso, os problemas devem se tornar oportunidades, afinal, sempre foi nas crises que surgiram os grandes empreendedores no Brasil. 

Talvez hoje, o que mais se assemelha a velha crise dos anos 80 seja o fato das pessoas estarem vivendo com o necessário devido as incertezas que circundam um cenário totalmente instável de mercado. 

Na época da outra crise, o que mais ouvia era minha família falar do aumento absurdo e diário de preços. Parecia que aquela realidade jamais desapareceria, aquilo já fazia parte da minha rotina, queria ouvir algo novo, mas sequer sabia o que era, hoje sei, queria ouvir pessoas que fossem referências, que me apontassem caminhos de possibilidades, que pudessem qualificar outras pessoas para estrategicamente e com muito trabalho, não só saíssem da crise, mas fariam dela um verdadeiro “trampolim” para a mudança. 

Para minha imensa tristeza e cansaço, o que vejo no mundo interativo de hoje? Motivação, gratidão, fórmulas mágicas, metodologias, mentores, gurus, powers, dynamics, águias, “fábricas de líderes”, pirâmides travestidas em comércios de cosméticos e energéticos, etc. 

Meu estômago está frágil, meu reservatório de paciência acabou para isso, principalmente quando vejo que o “errado” sou eu, bem como serei eu também que ficarei mais pobre. Em um cenário de miséria intelectual, tanto os que se utilizam dessas técnicas para acalmar o coração das pessoas através de uma interessante remuneração, bem como quem religiosamente acredita nesses métodos, são imensa maioria em nosso país, portanto, ou compro um chalé na Toscana Italiana (não vai rolar...), ou fico quietinho, falando no que acredito, dizendo que as pessoas devem trabalhar mais e estudar mais, além de insistir de que ninguém, absolutamente ninguém motiva ninguém, coisas de velho...

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