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Rio Grande do Sul

Artigo

O Futuro da Educação, dos Docentes e das Instituição Educacionais Profissionais

por Gilson Dal Osto - Docente

Antes de pensar sobre o futuro da educação, dos docentes e das instituições educacionais, fiz uma breve revisão na história para entender como foi o papel do professor no início dos tempos, desde a Grécia antiga passando pelo desenvolvimento das profissões, até chegarmos na baixa Idade Média. Percebi um certo ciclo que talvez esteja por se fechar. No início dos tempos, antes das escolas e dos institutos educacionais, existiam apenas o "mestre e o aprendiz".

Cada mestre tinha o seu jeito de ser, seu jeito de pensar, sua forma de entender o mundo e transmitia, de forma muito pessoal e particular aos seus discípulos, o que adquiriu, suas características e competências, até que esses se tornassem os novos mestres: o mestre pescador, o mestre construtor, o mestre ferreiro, o mestre religioso, o mestre guerreiro, o mestre cozinheiro e assim sucessivamente, passando isso de geração em geração.

Esse tipo de processo se deu ao longo de toda a história moderna da humanidade em continentes distintos do mundo como na China antiga, na Europa medieval e no Novo Mundo. O que mudou foi a introdução das instituições educacionais e suas mantenedoras. No caso mais simples, os governos que trouxeram consigo regras, normas, realinhamentos generalistas de como os mestres deveriam ser. A partir disso, em algum momento nebuloso os mestres deixaram de ser “Mestres” e passaram a ser replicadores dos conhecimentos impostos a eles, muitos sem entender a praticidade e aplicabilidade do que ensinavam.

A sociedade mudou principalmente após a revolução industrial e cultural, e o acesso à educação tornou-se muito mais amplo. Um mestre não daria mais conta de atender, de forma personalizada, cada jovem aprendiz que dele se aproximasse. Então o saber virou um pacote pronto e temos aí a transmissão dos conhecimentos clássicos (importantes, mas pouco relevantes no atual contesto da velocidade das informações do século XXI).

Casualmente, entendo que esse ciclo começa a voltar a sua origem, haja vista a inserção no mercado do coach e das práticas de coaching. O treinador dos empresários, esportistas e profissionais, mas bem estruturados, isso não seria uma volta ao passado? Uma nova forma na relação mestre e aprendiz. Quem sabe não seria este o caminho?

Ensinar cada um com base no que aprendeu. Eu me coloco assim também muitas vezes. Sou professor de educação técnica e profissional e me considero um peripatético - aquele que ensina com o que aprendeu pelo caminho e pela sua trajetória de vida. Não raras as vezes em sala de aula eu trago minhas experiências profissionais de sucesso, de crise, de fracasso, micos que paguei e prêmios que recebi. Penso que isso seja a melhor forma de ser um professor crítico e reflexivo junto às práticas da sociedade, experiências próprias, situações reais, problematização do contexto vivencial do dia a dia. Isso é, na minha humilde opinião, a diferença entre informação e conhecimento.

Quanto às ferramentas que são usadas hoje, bem distante do quadro negro de giz, vão-se mudando. Já não são apenas vídeo aulas, mas sim shows no quesito vídeo editado. Essa é a grande mudança que o professor deve ter nesse momento. Se queremos ser um mestres (as), devemos fazer e falar a linguagem daquilo que o nosso aluno quer aprender e muitas vezes na forma que o aluno quer aprender. Já observei meu filho adolescente estudando história na postagem de um youtuber que tem apenas alguns anos a mais do que ele. Mas a forma como esse youtuber com linguagem ultrajovem, e muitas vezes até de baixo escalão, deu a esse aluno uma percepção muito mais objetiva, clara e concisa do que vários períodos estudando História, conforme os conhecimentos clássicos (por nós em juízo aqui), lembrando que não estamos questionando aqui o que foi ensinado, mas como foi ensinado.

Contudo, o papel do professor no século XXI, em minha percepção, está voltada talvez a retornar a origem dos tempos onde um mestre é aquele que é procurado pelas suas competências pessoais e profissionais, admirado e respeitado socialmente, muito provavelmente, sem as limitações das instituições governamentais educacionais conversadoras e limitadoras, cabendo, às outras instituições educacionais (as modernas), um novo nascimento com esses novos docentes.

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