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Rio Grande do Sul

Artigo

Os males da velocidade da informação ? Direto para a sobremesa

por Stanley Loh - Docente do Senac da Faculdade Senac Porto Alegre

O 2º V do Big Data é a velocidade das informações. Antes disso, estamos sendo soterrados por grandes volumes de informações (1º V). E tem ainda a Variedade de Informações, 3º V, que torna a vida ainda mais complexa. A Velocidade é acelerada por novas tecnologias de transmissão de informações, como satélites, fibras óticas, 3G/4G e redes wi-fi. Mas também é impulsionada por aplicativos que permitem facilmente publicar ou postar suas próprias informações e compartilhar as dos outros na velocidade de um click.

A primeira consequência negativa é a necessidade de atualização constante. Como tudo muda muito rapidamente, inclusive modas e astros pops, temos que correr para ficar na “onda”. E as notícias correm rápido também, então temos que acelerar para estar a par de tudo. Isso cria um sentimento de estar sempre por fora de tudo.

A segunda consequência negativa é a falta de tempo para pensar, avaliar e tomar decisões. Isso nos impele a seguir com as massas e a não nadar contra a correnteza. Somos homens e mulheres massa, como dizia Ortega y Gasset. Este sentimento de pensar como o grupo e não querer discordar, ajuda a viver, pois não temos conflitos nem gastamos energia pensando. Aí entra a civilização do espetáculo que Vargas Llosa bem descreveu. Somos “maria vai com as outras” (ou “josé vai com os outros”).

A terceira consequência ruim é acelerar a tomada de decisão. Se no parágrafo anterior, eu disse que a tendência é não tomar decisões, quando vamos tomá-las procuramos usar nosso sistema rápido, como sugerido por Daniel Kahneman. Aí entram as intuições, emoções e instintos. O raciocínio lógico e o método científico sucumbem ante argumentos como “eu acho”, “eu sinto que” e “me parece que”.

A quarta consequência, decorrente das duas anteriores, somos mais facilmente influenciados. As empresas de marketing já descobriram a importância dos influenciadores na Internet e redes sociais. E isto funciona muito bem. Não temos mais opinião própria e sim a opinião dos influenciadores.

A quinta consequência é a falta de foco e de profundidade. Não temos tempo nem paciência para nos concentrar num assunto, para ler um texto inteiro, para nos aprofundar num tema. Nicholas Carr, no livro “Os Superficiais – O que a Internet está fazendo com nossos cérebros”, diz que isto, inclusive, está mudando nosso cérebro internamente.

Por fim, a pior das consequências: a busca por resultados de curto prazo. Ninguém mais tem paciência para esperar. A espera é um suplício. Antes era um prazer. Esperar o Papai Noel era um momento de ansiedade e ao mesmo tempo alegria. A dopamina a mil. E depois o prazer de recebê-lo e receber os presentes. Antes a gente comia o feijão com arroz de olho na sobremesa. Agora queremos a sobremesa logo.

E assim o sexo antes do casamento e sem preliminares, a sexualização e o amadurecimento precoce de crianças, o salário antes do trabalho, jovens não querendo mais estudar e sim ganhar dinheiro (vide aumento de investidores na bolsa e em bitcoins), o sonho de criar um novo Facebook ou até mesmo a mega sena sem precisar trabalhar. Por isto, o aumento de antidepressivos e outras drogas usadas para felicidade o quanto antes. Isto tudo explica o sucesso de negócios tipo Netflix, Aliexpress e outros de comércio eletrônico, Tinder, Whatsapp (ao invés de e-mail ou carta), fastfood, etc.

A consequência mais nefasta da velocidade de informações é a necessidade de recompensas imediatas e prazer acima de tudo, o puro hedonismo. Mas há movimentos contrários como slow food e espaços gourmet, para cozinhar com amigos e com prazer, técnicas e espaços para meditação, templos religiosos para rezar, livros para ler e filmes para simplesmente chorar.

E para terminar, uma frase que vi pichada num muro: “A felicidade não é uma estação de chegada, mas um meio de viajar”.

 

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