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Rio Grande do Sul

Artigo

Um olhar da História da Educação sobre os exames escolares como práticas avaliativas

por Joseane Leonardi Craveiro El Hawat - Docente

As provas ou exames escolares, tais como as realizadas na educação básica e demais níveis de educação, não foram práticas que surgiram na atualidade. Assim, propõe-se nesta escrita explanar brevemente acerca dos exames escolares como práticas avaliativas à luz da História da Educação.

O modelo de exames foi sendo estruturado ao longo dos séculos XVI e XVII, conforme elementos encontrados nas sistematizações dos católicos - Companhia de Jesus - e dos protestantes - Jan Amos Comenius. O Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Jesus trazia a proposta de organização pedagógica dos católicos, tendo por finalidade normatizar o funcionamento dos colégios jesuítas mediante regras comuns para todos os estabelecimentos da ordem, e em qualquer lugar (Saviani, 2007, p. 53?54). O Ratio Studiorum foi publicado em Roma, no ano de 1599, e era constituído por um conjunto de regras que cobriam todas as atividades dos agentes diretamente ligados ao ensino: reitor, assistentes, professores e alunos. Desse conjunto, 467 ao total, 11 regras foram destinadas a normatizar a realização dos exames escritos, prevendo, inclusive a distribuição de prêmios para os alunos (SAVIANI, p. 54?55).

 

Comenius, por sua vez, apresenta em sua obra Didactica magna, de 1657, uma concepção pedagógica fundamentada num ideal religioso "que concebe o homem e a natureza como manifestações de um preciso desígnio divino" (CAMBI, 1999, p. 286), em que a educação é um modelo universal do homem virtuoso, proposta para reformar a sociedade e os costumes (CAMBI, p, 286).

Quanto aos exames, o tratado da arte universal de ensinar tudo a todos, subtítulo da Didactica magna, sugere que autoridades civis deveriam assistir as realizações de provas públicas (exercícios, exames e sabatinas) e distribuir louvores e prêmios para os alunos considerados mais estudiosos, como uma maneira de favorecer o aprendizado das crianças.

A partir dessas recomendações pedagógicas iniciais, muitos aperfeiçoamentos foram empreendidos nos modelos dos exames a serem adotados durante os séculos seguintes. No que se refere ao Brasil imperial, alguns elementos quanto a tais práticas escolares podem ser encontrados na obra de Rosa Fátima de Souza (2008). No final do Império os exames eram apresentados como uma inovação recente, observando que o tempo de duração do curso primário acompanhava mais o ritmo da aprendizagem dos alunos do que uma determinação externa (SOUZA, 2008, p. 40). Através da reforma republicana da instrução pública, foram instituídos, nos dispositivos legais, o exame como atividade sistemática e contínua no ensino primário, submetendo?o a uma série de normatizações (SOUZA, 1998, p.242), e os exames vieram a aperfeiçoar a organização dos alunos em classes e séries e, ao mesmo tempo, tais práticas se estabeleceram como mecanismos de controle, punição e hierarquização (SOUZA, 2008, p. 49).

Assim, percebe-se que os exames escolares como práticas de avaliação escolar institucionalizaram-se aos poucos e o olhar histórico sobre a temática permite compreender as razões e a lógica que orientaram o estabelecimento de certos procedimentos que permanecem no ambiente escolar até os dias de hoje.

Referências:

CAMBI, Franco. História da pedagogia. São Paulo: Unesp, 1999.

DIDACTA magna: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/didaticamagna.pdf. Acesso

em 28/03/2014.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2007.

SOUZA, Rosa Fátima de. Templos de civilização: a implantação da escola primária graduada no Estado de São Paulo, 1890?1910. São Paulo: Unesp, 1998.

SOUZA, Rosa Fátima de. História da organização do trabalho escolar e do currículo no século XX: (ensino primário e secundário no Brasil). São Paulo

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