Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

O Ensino Superior X Inclusão

por Luziane Carvalho - Intérprete da Faculdade Senac Porto Alegre

Sabemos que nos dias de hoje o Ensino Superior vem apresentando crescimento. Em contrapartida, os debates e as práticas educacionais com foco na inclusão se tornam mínimas e, quando ocorrem, o tema da educação inclusiva volta-se para a questão da inclusão social, referindo-se as classes de menor poder aquisitivo, como as cotas para estudantes negros e índios. Desta forma acabam sumindo de cena os estudantes com deficiência e outras necessidades educacionais especiais. Contamos ainda com um número baixo de pesquisas e implantação de políticas para a inclusão de pessoas com deficiência no Ensino Superior.

A Faculdade Senac Porto Alegre, comprometida com a inclusão, iniciou em 2016, algumas ações buscando através da Acessibilidade, subsidiar a atuação dos docentes, oportunizar o acesso, a permanência e a participação de todas as pessoas, que têm algum tipo de deficiência e necessidades educacionais especiais nos cursos superiores. Não podemos apenas integrar ou adaptar as pessoas com deficiência aos locais, mas atentar aos objetivos do ensino superior, bem como seu método de avaliação e currículo, que necessitam de uma alteração frente a esse novo desafio. Precisamos repensar modelos e objetivos educacionais no ensino superior e encarar as questões da flexibilização do currículo, da necessidade ou não de um do especialista em sala de aula (ledor/transcritor e Interprete de Libras), da aplicação das provas especiais e dos recursos acessíveis necessários - essas questões são impostas há mais de uma década na educação brasileira.

O ingresso de alunos com deficiência nos cursos de graduação muitas vezes não se dá de modo claro e as dificuldades podem aparecer gradativamente. Existem casos em que o próprio aluno desconhece sua condição ou não tem consciência das suas dificuldades, como o de uma aluna que se descobriu com dislexia a partir dos conteúdos estudados nas aulas do curso de Hotelaria da Faculdade Senac Porto Alegre. Algumas necessidades educacionais especiais podem passar despercebidas pelo docente e as vezes as dificuldades específicas podem ocorrer apenas na avaliação final.

É importante considerar que, se o aluno ingressou na instituição pela realização e aprovação no vestibular, ele tem o direito de encontrar condições de permanência e conclusão do curso, levando em consideração as suas dificuldades e, assim, criando métodos acessíveis.

Além das questões mais visíveis presentes na avaliação, temos também as dificuldades dos docentes quando estes têm, em sua sala de aula, um aluno com deficiência. Nos outros níveis de ensino, temos pesquisas que apontam o fato de que a atitude do professor é de suma importância para a permanência e para a integração desse aluno com deficiência com os demais colegas.

Alguns professores assumem uma postura protetora diante dos alunos com deficiência; outros podem se aproximar e conhecer melhor suas limitações, enquanto outros ainda as ignoram.

É de fundamental importância que a atitude de todos os que participam do processo educacional possa encontrar um espaço hospitaleiro, para que a educação inclusiva possa evoluir cada vez mais.

A abertura à novas experiências e novos desafios é essencial nessa metodologia, ampliando a conscientização e facilitando o processo de construção de um espaço inclusivo na educação. Por isso, podemos dizer que inclusão se faz a partir da experiência e do reconhecimento das diferenças. A participação de pessoas com deficiência em sala de aula pode ser uma contribuição para todos os alunos, promovendo uma reflexão sobre as práticas educacionais a partir das questões criadas na sala de aula, o que leva à flexibilização e à reinvenção das mesmas.

Sendo assim, podemos verificar a existência de três desafios que englobam três níveis de ação: a instituição, a formação de docentes e o dia a dia da sala de aula.

As instituições de ensino superior, diante da necessidade de assumir posições a respeito da elegibilidade dos alunos aos cursos oferecidos têm sofrido mudanças frente aos desafios da educação inclusiva através da IES.

Já na formação de professores, qualquer que seja o nível de ensino, é de extrema importância a educação para as diferenças. Além disso, a questão de que a formação docente não tem sido considerada uma exigência no ensino superior, precisa ser revista diante dos desafios da educação inclusiva.

O terceiro desafio relaciona-se à competência do educador em identificar, acolher e trabalhar com as diferenças em suas salas de aula. Nomear, perguntar, investigar com os alunos as especificidades a serem levadas em conta no processo educacional são ações importantes.

Assim, entender a verdadeira função social da educação superior requer a sensibilização de todos na instituição para a criação de uma nova cultura, promovendo uma ampla acessibilidade, não só aos alunos com deficiência, mas aos docentes, funcionários, e à população que frequenta a Faculdade Senac e se beneficia de alguma forma de seus serviços.

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